ÍNDIA, UM OUTRO MUNDO - PARTE 2 - JAIPUR

ÍNDIA, UM OUTRO MUNDO - PARTE 2 
JAIPUR - A CIDADE ROSA



     Dia 27 de abril, fizemos o check-out no hotel 'Radisson Blu Plaza Delhi Airport' e partimos de Nova Delhi às 8h30 com destino a Jaipur, a cidade rosa. Seguimos por cerca de 300 km até lá. Ainda bem que nosso micro ônibus era confortável e não estava lotado... 





     Estava com muita dor de cabeça e nariz congestionado, tanto que até passei no médico no dia do embarque para pedir uma receita de antibióticos, caso minha garganta piorasse na viagem... Segundo os terapeutas ayurvédicos esse processo fazia parte da minha limpeza mental, espiritual e corporal... Só não imaginei que essa limpeza seria tão intensa... Rsrsrs... 

     Em nossas paradas pelo caminho, tomávamos um chai, provávamos alguns petiscos indianos... Almoçamos num dos restaurantes de boa procedência... Mas não tinha jeito, a pimenta estava lá... Em todos os alimentos tinha pimenta, mesmo que a gente pedisse "no spice"... E eu fui comendo o que tinha... Me apeguei ao 'chapati', um pão tradicional indiano achatado, assado, feito com farinha de trigo, sal e óleo, que é servido em todas as refeições na Índia, uma salvação pra disfarçar um pouco a pimenta presente em todos os pratos... 





     Visitamos uma fábrica de tecidos do local, acompanhamos o processo de impressão por "hand block print", uma técnica artesanal de estamparia, em que blocos de madeira entalhados são usados na impressão manual de tecidos; esse é um dos métodos mais antigos de impressão usados na indústria têxtil. É um lindo processo, lento que cria impressões únicas e personalizadas. Nessa técnica os artesão carimbam com precisão desenhos com blocos molhados em corantes naturais feitos a partir de cúrcuma, curry, fruta de miróbalo e até fezes de camelo.






 

     Em uma das lojas de tecidos aproveitei para comprar um sari pra mim. Mari também comprou o dela para visitarmos o Taj Mahal caracterizadas. Foi bem engraçado, pois precisamos pechinchar o valor com os vendedores. Acabei comprando meu tecido por 30 dólares. 





     Nossa hospedagem em Jaipur foi o 'Hyatt Place Jaipur Malviya Nagar' (Apex Cir, Jhalana Gram, Malviva Nagar, Jaipur, Rajasthan), mais um belo hotel deste roteiro.



     À noite, visitamos o 'Templo Birla', um dos templos hindus construídos pela família Birla em diferentes cidades da Índia. Todos os templos são construídos com muito capricho, em mármore branco ou arenito e localizados em locais de destaque; também têm capacidade para acomodar muitas pessoas. A adoração e os discursos são bem organizados. O templo Birla de Jaipur homenageia Lakshmi Narayana, que é a representação dupla das divindades hindus Vishnu, também conhecido como Narayana, e sua esposa Lakshmi deusa da riqueza e prosperidade. Ele é feito em mármore branco e está localizado na base do monte 'Moti Dungari'.




O ALTAR COM O CASAL VISHNU E LAKSHMI




 

     Acompanhamos o ritual sem filmar ou fotografar, ficamos num dos lados próximos ao altar. Ao final da cerimônia, com muitos mantras, os sacerdotes passaram jogando água do Ganges nas pessoas, que é sagrada para eles. Levei uma bela porção de água bem no rosto. Minha cabeça já estava doendo e aí doeu mais ainda... Que enxaqueca...





     Seguimos para um jantar com show de dança indiana num local bem pitoresco... Eu senti o cheiro do chapati e fiquei muito enjoada... Não consegui comer quase nada... Que dor de cabeça terrível... Só me lembro de ter tido uma dor dessa em altas altitudes... A Índia não estava me fazendo bem? Era a comida??? Purificação? Limpeza? Não sei... Mas vomitei muito nessa noite... Fiquei muito tonta também... Chegando no hotel, tomei alguns remédios e fui dormir rezando para parar de vomitar...



     No dia seguinte, 28 de abril, acordei com um pouco de tontura e dor, mas parei de vomitar... A partir desse dia passei a comer somente frutas, arroz e coisas mais leves, quando encontrava... O cheiro do chapati me irritava, mas não vomitei mais... Claro que um desarranjo intestinal apareceu logo depois, mas fiquei bem! Se foi realmente uma limpeza física, que bom!!!

     Neste dia seguimos para o 'Forte de Amber', distante cerca de 7 km de Jaipur. Perto da entrada do monumento, paramos para ver os encantadores de serpentes. Eu que fiquei encantada pela naja, pois adoro cobras! Claro que paguei algumas rúpias para toca na naja e pegar um pedacinho da sua pele que estava se soltando. Foi emocionante! Na verdade esse encantamento não se trata de nenhuma magia e sim de pura esperteza; já que as cobras são praticamente surdas aos sons da flauta, elas sentem sim as vibrações do solo e saem da cesta automaticamente quando o encantador abre a tampa, daí ela vai acompanhando os movimentos ao redor. Alguns encantadores também passam urina de rato na flauta para a serpente ficar "mais atenta" ao instrumento.






     Depois fiquei com pena da cobra, na verdade fiquei indignada quando nosso guia me contou que os "encantadores" tiram os dentes inoculadores das serpentes para correrem menos riscos. Que absurdo!!! O que eu poderia esperar de um povo que considera a vaca um animal sagrado, mas que deixa todas elas nas ruas comendo lixo? Se fazem isso com a vaca sagrada, imagina se não irão arrancar os dentes de uma pobre naja... Não pretendo criticar os costumes de um povo, mas como bióloga não poderia deixar de defender os animais...😢

     Bem... Passada a emoção de pegar na cobra... Entramos no forte e escolhemos subir a rampa enorme em elefantes asiáticos. Eu fiquei em dúvida, mas vi que os elefantes estavam bem, o guia me afirmou que os animais trabalham apenas na parte da manhã por poucas horas, sem exploração e maus tratos. Achei que eles estavam bem... Tinham pintura colorida no corpo e até uma proteção pra carregar as pessoas. Carregavam no máximo duas pessoas e o condutor. Realmente era verdade, pois pra descermos à tarde, utilizamos jeeps, e os elefantes não estavam mais trabalhando.

















     Até gostei dessa experiência... Nosso elefante era uma menina de dez anos, segundo seu condutor. O chato é que os condutores ficam pedindo gorjeta o caminho todo e nós já havíamos pagado pelo passeio; dei uma pequena quantia, mas depois descobri que os elefantes pertencem ao governo e os condutores devem ganhar um salário muito pequeno para levar os visitantes, contando com as gorjetas para melhorar sua situação. Aliás essas cenas são típicas da Índia: pessoas pedindo dinheiro o tempo todo, em todos os lugares, mulheres, idosos, crianças... Muita pobreza... Muita desigualdade...



     Visitamos o Forte de Amber, que é um complexo que inclui templos, jardins, fontes e palácios com 6 km de muralhas que se destacam no horizonte. Dentre as atrações estão os incríveis salões majestosos como o Salão dos Espelhos. A construção se destaca por seu estilo único, misturando a cultura muçulmana com a hindu. Foi declarado como Patrimônio Mundial pela UNESCO em 2013, inserido no conjunto de Fortes nas Colinas do Rajastão.









DESCEMOS DE JEEP

























     Visitamos uma joalheria local, e acompanhamos parte do processo de lapidação, nesse dia estavam lapidando esmeraldas. Na Índia as pedras preciosas têm um significado cultural, associadas à astrologia; acredita-se que usar joias com as nove pedras preciosas juntas traz boa saúde, felicidade e riqueza. Achei lindas as joias com o rubi mais caro da Índia, mas não comprei... Caro!!!












    À tarde visitamos o 'Palácio da Cidade', uma residência real e antiga sede administrativa dos governantes do Estado de Jaipur. Ele fica no coração da cidade de Jaipur. Sua construção foi concluída em 1732 e também foi o local de eventos religiosos e culturais, bem como um patrono das artes, comércio e indústria. Atualmente abriga o 'Museu Maharaja Sawai Man Singh II' e continua sendo o lar da família real de Jaipur. A família real tem cerca de 500 servos pessoais. O complexo do palácio tem vários edifícios, pátios, galerias, restaurantes e escritórios do 'Museum Trust'.







A FAMÍLIA REAL QUE VIVE NO PALÁCIO






     À tarde tivemos um tempinho livre para compras nos bazares de Jaipur. Também visitamos um roof top em frente ao 'Palácio dos Ventos' (Hawa Mahal), que foi construído com arenito vermelho e rosa em 1799 pelo marajá Sauai Pratap Singh, neto do marajá fundador de Jaipur. O palácio foi projetado por Lal Chand Ustad e seu exterior de cinco andares é semelhante a um favo de mel e possui 953 janelas pequenas conhecidas como Jharokhas, e decoradas com reticulados intrincados para que as damas reais pudessem observar a vida cotidiana e os festivais celebrados na rua sem serem vistas (elas não podiam aparecer em público sem cobrir o rosto segundo regras do purdah = prática que consite em isolar as mulheres da observação pública, praticada por alguns grupos muçulmanos e hindus). Essa característica arquitetônica também permitiu a passagem do vento através do efeito Venturi, tornando a área mais agradável durante as altas temperaturas de verão.

UMA UNIVERSIDADE DE MEDICINA AYURVÉDICA

BAZARES DE JAIPUR









A VACA SAGRADA

     Na Índia, a vaca é vista como um animal sagrado que, por isso, pode circular livremente pelas ruas das cidades. Isso é explicado pela religião hinduísta, onde muitos deuses têm animais como montaria, que acabam ganhando status de animal sacro; a vaca chamada Nandi é o animal de montaria do deus Shiva; ela, além de carregar o deus, teria o papel de controlar os impulsos dele, que é o ente responsável pela destruição e renovação.

     Os hindus não comem carne bovina e consideram a vaca um símbolo de espiritualidade, fertilidade, pureza e sustento da vida humana, pois fornece leite (considerado um alimento puríssimo). No hinduísmo também há a deusa bovina Kamadhenu, Uma vaca com cabeça de mulher, considerada a mãe de todas as vacas, podendo dar ao seu dono tudo o que ele deseja. A vaca também é Devi, a mãe nutridora e a responsável por sustentar a vida de todas as outras criaturas.





     À noite caminhamos até a frente do 'Museu Central de Jaipur' e presenciamos a luta para atravessar a rua, naquele trânsito caótico que só os indianos entendem.




* CRÍTICA DE LEVE: As vacas são sagradas, não podem ser mortas  e nem virar comida, são cremadas ao morrerem... Mas, muitas vivem pelas ruas, sem tutor, sem casa, comendo lixo... Não entendi...


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JAIPUR

     Jaipur é a capital e maior cidade do estado do Rajastão; foi fundada em 1728 pelo marajá Sawai Jai Singh II, o governante de Amber. É conhecida como "A cidade rosa", já que em 1876 o seu marajá mandou pintá-la dessa cor, para a visita do Príncipe de Gales; desde então a cidade é regularmente pintada.

     Jaipur é a primeira cidade planejada da Índia, localizada nas terras do semi-deserto do Rajastão. A cidade já foi considerada a capital da realeza, conhecida como a "Cidade dos Marajás"; foi incluída em 2019 na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO.

     A cidade também é conhecida pela sua indústria têxtil artesanal, que inclui a técnica da impressão em blocos, que acompanhamos. Além disso, na região resiste o "kanta", uma das formas mais antigas de bordado originada na Índia. O estilo do bordado kanta usado pela Chaihara é um ponto reto corrido usado para juntar duas camadas de materiais, às vezes seda de sari ou algodão.

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     Dia 29 de abril, fizemos o check-out no hotel de Jaipur e seguimos em nosso micro ônibus para Agra.





 

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