ÍNDIA, UM OUTRO MUNDO - PARTE 4 - VARANASI

 VISITANDO A VERDADEIRA ÍNDIA
VARANASI



     Dia 01 de maio fizemos o check-out no hotel de Agra e seguimos por cerca de 200 km até Delhi. Deixamos nossas malas no hotel de Nova Delhi: 'Radisson Blu Plaza Delhi Airport' e seguimos para o aeroporto com a bagagem de mão. Embarcamos no voo Indigo 2361 das 14h30 para Varanasi. Estávamos ansiosos para visitar a terra de Shiva.





     Chegamos em Varanasi às 16 horas e seguimos imediatamente para o Rio Ganges. Nosso novo micro ônibus nos levou até uma parte do caminho. Dali não entravam mais carros grandes. Pegamos um rickshaw por dupla, um meio de transporte barato e típico da Índia, onde uma pessoa leva uma espécie de carroça com duas pessoas pedalando uma bicicleta adaptada. Nosso condutor era jovem, muito magro e estava bem sujo. Sua vida não devia ser nada fácil... Fiquei desconfortável em utilizar esse meio de transporte, parecia uma exploração humana... Combinamos o retorno com o mesmo condutor. 












     E seguimos naquela loucura que é Varanasi... Muita gente!!! Uma espécie de 25 de março mais lotada... Muitos hindus, jovens, idosos, mulheres, homens... Caminhamos bastante entre as pessoas, a energia da cidade é diferente... Encontramos várias pessoas oferecendo uma pintura na nossa testa junto com uma espécie de mantra, cobrando algumas rúpias por isso, é claro. Eles eram um tipo de sacerdote.






GANGA AARTI

     Seguimos para assistir a cerimônia tradicional Aarti ou Ganga Aarti, um ritual hindu que acontece todas as noites em Varanasi, é uma celebração da fé e devoção. É realizada todos os dias, há mais de 5 mil anos... Esse ritual é realizado em frente ao rio e tem o objetivo de oferecer o fogo ao Ganges e às divindades. Em vários ghats (escadarias), sacerdotes brâmanes realizam um ritual, misturando dança e fogo, ao som de músicas e preces dirigidas à mãe Ganga que, de acordo com a crença hindu, se manifesta no rio. A deusa Ganga abençoa todos os presentes no final. Aqueles que quiserem, podem depositar velas flutuantes no rio. Para os hindus a água do rio é purificadora e sagrada pois a deusa Ganga desceu dos céus para a Terra para purificar as almas humanas e este ato foi possível graças à intervenção do deus Shiva, que amorteceu sua queda em seus cabelos.












Gostei muito da cerimônia Aarti, pudemos acompanhá-la de um barco, do meio do rio. Foi muito bonito e especial. Diferente de tudo que já vi na minha vida. As pessoas têm muita fé... E nada explica essa fé...

Ao final, caminhamos por Varanasi, as ruas estavam lotadas ainda... O trânsito é uma loucura até a noite... Vi muita sujeira pelas ruas, muita pobreza extrema... Só vinha na minha mente um trecho dessa canção: "Oh, mundo tão desigual... Tudo é tão desigual..."






Retornamos até o micro ônibus no rickshaw, pagamos uma gorjeta para o condutor, que ficou satisfeito, sorrindo com os poucos dentes que lhe restavam...

Ao chegarmos no hotel, jantei uma comidinha bem simples à base de arroz e frango. Agradeci pela oportunidade de estar ali, agradeci por ter condições de me alimentar... Como fiquei grata pela minha vida diante de tanta miséria...

Nossa hospedagem em Varanasi foi o 'Hotel Pristine Varanasi' (The Mall Road Cantonment, Varanasi Cantt).


VARANASI

Varanasi é uma das cidades mais antigas do mundo e a mais sagrada para os hindus. Situa-se às margens do rio Ganges ela é o epicentro da espiritualidade hindu. Segundo nosso guia, em Varanasi podemos presenciar e sentir claramente a morte e a vida... O ciclo da natureza...

Segundo os brâmanes, Varanasi foi fundada por Shiva há mais de 5000 anos, o que a faz uma das sete cidades sagradas do hinduísmo.

A cidade recebeu esse nome por ficar entre os rios Varuna e Assi, mas chegou a ser chamada de Benares e Kashi, que significam "Cidade da Vida" por conta do rio Ganges que a banha. Os hindus crêem que todos os seus pecados serão retirados ao se banharem nas águas sagradas.


O HINDUISMO

O hinduismo é a principal religião da Índia. Ele influencia diretamente na forma de pensar, se relacionar, se alimentar, entre outros diversos aspectos da vida do praticante. Mais do que uma religião, é uma forma de vida. Uma das suas principais crenças é a reencarnação, sempre relacionada com o karma do indivíduo.

Existem quatro principais correntes na atualidade:

- Xivaísmo: o ser supremo é Shiva, o deus criador e destruidor; os praticantes valorizam a vida ascética e a yoga.

- Shaktismo: cultua a deusa Shakti, uma energia e a força que criou o cosmos.

- Vaishnavismo: sua principal entidade é Vishnu, deus da ordem da natureza e da vida humana

- Smartismo: cultuam cinco divindades principais: Ganesha, Shiva, Shakti, Vishnu e Surya.

GANESHA


As principais crenças do hinduismo são:

- reencarnação, chamada de sansara. Para os hindus, os pensamentos, ações e falas do indivíduo estão diretamente relacionados à sua reencarnação. Esse sistema ações-pensamentos-reencarnação é conhecido como carma ou karma.

- predestinação: de acordo com ela, o futuro da pessoa já está definido desde o seu nascimento. Essa crença está diretamente relacionada aos casamentos arranjados, à leitura das mãos (quiromancia) e à importância dada aos mapas astrais, práticas presentes no hinduísmo.

- sistema de castas: composto por estratos sociais hierarquizados. Cada casta tinha uma função diferente na sociedade. No topo delas, estavam os brâmanes, pessoas de família com poder político e econômico; durante muito tempo, foram a única casta a governar a Índia. Existiam também a casta dos comerciantes, a dos guerreiros, entre diversas outras. A casta dos dalits, chamados também de intocáveis, era a mais baixa delas, e as pessoas desse grupo estavam destinadas a atividades relacionadas à coleta de dejetos, de lixo, à limpeza de esgoto e aos sepultamentos. A sociedade de castas era estamental, ou seja, as pessoas não tinham mobilidade social e o casamento entre castas diferentes era proibido. Na visão hindu, uma pessoa reencarnou como um dalit, por exemplo, por causa de seu carma. Essa pessoa morrerá como um dalit, mas poderá reencarnar em outra casta, desde que tenha cumprido os purusharthas (os quatro objetivos da vida humana). Atualmente o sistema de castas é proibido na Índia, mas ele ainda persiste no país, sobretudo nas regiões rurais mais isoladas.

Os vedas são a base das escrituras sagradas do hinduísmo. Inicialmente os vedas eram transmitidos oralmente, sobretudo na forma de mantras, e posteriormente passaram a ser registrados em sânscrito, antiga língua do subcontinente indiano. Na língua sânscrita, vedas significa “conhecimentos”. Os vedas são organizados em quatro obras — Rigveda, Yajurveda, Samaveda e Atharvaveda. Eles discorrem sobre rituais, orações, moral, meditação, conhecimento espiritual, entre diversos outros assuntos relacionados à vida espiritual e cotidiana. Bagavadeguitá é outro texto sagrado hindu, escrito provavelmente no século VI a.C. O texto poético conta com dois personagens principais, Krishna e Arjuna, uma espécie de aprendiz do hinduísmo que é iluminada pelo próprio Krishna. (Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/religiao/hinduismo.htm). Daí veio a canção "Gita", de Raul.

Tudo muito diferente!!! Nunca fui num lugar como a Índia! E é verdade o que ouvi uma vez: "Nós nunca estamos preparados pra Índia!"

🐘🐘🐘🐘🐘

Dia 02 de maio, madrugamos para assistir o nascer do sol no rio Ganges, algo imperdível. Percebi a preocupação de nosso guia em nos mostrar o melhor de seu país... Navegar pelo Ganges antes do sol arder foi uma excelente ideia! Ouvi histórias estranhas sobre a situação ambiental do rio Ganges, que tem sido usado como reservatório de restos mortais de pessoas e outros animais há séculos... Imaginei uma grande sujeira, mas ao menos na parte que navegamos ele estava limpo. Eu diria que até tomaria banho nele...





























Pegamos a embarcação em um pequeno porto e seguimos pelo rio sagrado, acompanhados de dois músicos que tocavam canções indianas sagradas e entoavam mantras. Nosso guia também recitou alguns mantras, nosso grupo tentou acompanhar, foi muito bonito. Oferecemos flores ao rio sagrado e acompanhamos o nascimento do nosso astro rei. Lindo!





Após desembarcarmos, caminhamos pelos ghats do Ganges. Os ghats são um conjunto de degraus construídos paralelamente ao fluxo do rio e que levam à água. São moldados a partir da necessidade de se adaptar aos níveis de água em constante mudança no rio; a profundidade varia cerca de 10 a 15 metros durante as estações de monções e secas.

Varanasi tem 84 ghats, a maioria deles são ghats cerimoniais de banho e puja, enquanto dois ghats: Manikarnika e Harishchandra são usados exclusivamente para cremação. Na tradição hindu, a cremação é um dos ritos de passagem e os ghats são considerados um dos locais auspiciosos para esse ritual. No momento da cremação, uma puja (oração) é realizada por um ou mais sacerdotes hindus, são recitados hinos e mantras durante o processo. Em Varanasi as cremações acontecem 24 horas por dia.

Os hindus acreditam que o fogo funciona como purificador, ajudando o espírito da pessoa a desapegar do material e partir para a nova dimensão. Mas nem todos podem ser cremados, por exemplo: crianças com menos de 12 anos, mulheres grávidas (pois acreditam que estão em estado de pureza), também leprosos, pessoas com doenças infecciosas e com veneno no corpo têm seus corpos amarrados a uma pedra e jogados no meio do rio.

Observamos um dos crematórios, no momento estava acontecendo uma cremação, pudemos ver, mas fotografar era proibido. Respeitei, é claro. O cheiro de fogueira ficou impregnado nas minhas roupas e cabelo... Ainda bem que retornamos ao hotel para tomar um banho antes de partirmos pro próximo passeio.



















Após o café da manhã, fizemos check-out no hotel e visitamos o 'Parque Deer' (Dhamekh Stupa, Dharmapala Rd, Singhpur, Sarnath, Varanasi), local onde Buda teria dado seu primeiro sermão aos seus primeiros cinco discípulos: Kaundinya, Assaji, Braddiva, Vappa e Mahanama. Esse é um dos locais de peregrinação mais importantes para os budistas. Dhamek Stupa é um enorme stupa, uma estrutura semelhante a um monte ou hemisférica que contêm relíquias e é usada como um local de meditação.

Pudemos parar por alguns momentos e meditar ali naquele lugar tranquilo e convidativo à contemplação. Muitas pessoas quiseram fotografar conosco. Sensação diferente...








Dessa meditação, visitamos uma fábrica artesanal de bordados indianos. Muitas peças bonitas e com preço correspondente.








Dali seguimos para o aeroporto de Varanasi, para embarcarmos no voo Indigo- 2232 das 16h15 com destino a Nova Delhi.

Varanasi é muito diferente de tudo nesse mundo... Onde se observa o ciclo da vida, de morte ao renascimento. Foi uma experiência incrível! Muito além do que eu esperava. Namastê!

FAMÍLIA SAGRADA HINDU











     

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

PARCEIROS DE AVENTURA NAS POSTAGENS DESSES CINCO ANOS DO BLOG - PARTE 1

PARCEIROS DE AVENTURA NAS POSTAGENS DESSES CINCO ANOS DO BLOG - PARTE 2

PARCEIROS DE AVENTURA NAS POSTAGENS DESSES CINCO ANOS DO BLOG - PARTE 3